“As mulheres tem dificuldade em dizer não porque é muito bom ser a escolhida, especialmente se for pelo rei. Gostamos de agradar o pai, o chefe, o colega de trabalho, o namorado. Não queremos decepcionar os outros. Boa parte da nossa autoimagem se deve a fazer outras pessoas felizes. Nossa menina interior não quer ficar de fora nem ser deixada para trás. É doloroso demais escolher não participar da diversão. Além disso, nós precisamos da renda.
Ao sair do estado de filha espiritual, no qual servimos a modelos masculinos, raramente há um Grande Pai dizendo: “Você se saiu bem. Era isso mesmo o que eu queria. Agora vá em frente e faça seu próprio caminho”. Em vez disso, a resposta mais comum é: ‘Você está jogando fora sua carreira se não assumir esse cargo. Como pode nos decepcionar assim? Você simplesmente não sabe cumprir seus compromissos. Não está á altura desse desafio”. Críticas assim são difíceis para qualquer um, mas são ainda mais penosas para mulheres que não gostam de desapontar ninguém e para aquelas que dependem demais dos homens para receber aprovação e validação.
No entanto, é justamente nesses momentos de verdadeira vulnerabilidade que podemos crescer de verdade. Jean Shinoda Bolen afirma: ‘Quando estamos fazendo alguma coisa porque é o que se espera de nós, porque queremos agradar alguém ou porque temos medo de alguém, ficamos mais alienadas da sensação de viver autenticamente. Se apenas continuarmos a viver o papel que conhecemos bem, o custo disso será permanecermos cada vez mais isoladas daquilo que está no inconsciente coletivo; aquilo que não só nos alimenta como nos fornece a matéria-prima que nos permite cometer erros. Em períodos de transição, costuma ser necessário passar exatamente por isso: uma mudança ao atravessar o caos, sair do rumo, perder-se na floresta por algum tempo antes de cruzá-la e encontrar novamente nosso caminho”.
Trecho do livro A jornada da heroína – a busca da mulher para se reconectar com o feminino. Autora Maureen Murdock.

